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21 de Outubro de 2021

PARTE 1 de 2: Reflexões sobre os governos PT e pós-PT.

Breve análise cronológica, sob uma visão crítica e consciente, do quadro político no Brasil desde o governo Lula, o governo Dilma, a saída do PT com o Impeachment, o Governo do PMDB de Temer, os casos de corrupção no PT, o processo que levou a condenação de Lula, até a candidatura de Fernando Haddad.

Eliseu Marlan, Analista de Informações
Publicado por Eliseu Marlan
há 3 anos

Preocupado com o quadro político-eleitoral do Brasil nesta eleição e com o futuro político, econômico e social do país, com as instituições da república, com o Estado Democrático de Direito e as garantias individuais, me senti na responsabilidade de fazer uma reflexão, que postarei em 2 (dois) trechos por momentos sob análise, abordando a realidade política, econômica e social do país atualmente e ao longo dos governos do PT, analisando de forma crítica e consciente, embora breve, os pontos positivos e as falhas dos governos Ptistas, fazendo um traçado cronológico desde o governo Lula, com uma abordagem sob o ponto de vista da economia mundial e nacional durante o governo Dilma e os aspectos políticos e éticos do impeachment e do governo Temer, passando por uma breve avaliação crítica sobre os casos de corrupção dos governos PT e pós-PT e o processo que resultou na condenação do ex-presidente Lula, e por fim, uma visão sobre o candidato Fernando Haddad.

No primeiro momento de reflexão, falarei dos governos Lula e Dilma, o Impeachment e o governo Temer. No segundo momento, falarei dos casos de corrupção no PT e o processo que levou à condenação de Lula, e por último, falarei brevemente sobre o Candidato Fernando Haddad.

Hoje falarei dos governos Lula e Dilma, do impeachment e do governo Temer.

Para começar essa reflexão, registre-se que o PT esteve no governo durante 13 anos, de 2003, com o primeiro mandato do Presidente Lula, a 2016, com a saída da Presidente Dilma pelo impeachment.

Nesse período o país esteve em constante crescimento e enfrentou uma forte crise mundial.

Atualmente, o Brasil encontra–se em uma profunda crise econômica e nas maiores crises política e social desde desde o Impeachment de Dilma Rousseff. Realidade essa que embora tenha iniciado final do governo Dilma, não é totalmente culpa dos governos do PT, mas de projetos políticos de poder a todo custo da oposição aos governos Petistas que pretenderam destruir a reputação do PT. Todavia, é importante reconhecer que houve falhas nos governos do PT, com os casos de corrupção, as quais não comprometem a avaliação geral dos governos e do trabalho feito em prol de todos os brasileiros, principalmente das classes mais pobres.

Nos dois governos Lula (2003-2006/2007-2010) o país obteve bons indicadores na fome, miséria, emprego, investimentos públicos e privados, distribuição de renda, programas sociais, moradia popular, redução da desigualdade social, valorização da moeda nacional, redução do endividamento público e etc... Os governos do presidente Lula foram muito bons, tanto que Lula chegou a ter aprovação superior a 80%, o que foi fundamental na eleição da presidente Dilma. É só fazer uma simples busca, não dá pra mudar esse fato.

Os governos Dilma (2011-2014/2015 até o impeachment 2016) mantiveram sim os bons números, mas a diferença é que de um lado sofreu com a insatisfação política da oposição de ver um bom governo há muito tempo na não do PT, e do outro lado a grande crise mundial que afetou também nosso país desde 2008.

Em relação à crise mundial, países como Espanha, Portugal, Grécia e Argentina, por exemplo, sofreram tanto quanto o Brasil, e no caso dos europeus principalmente da Grécia, até mais,chegou a quase a falir. Já as maiores economias mundiais, Estados Unidos e China, deixaram de crescer como esperavam.

Ninguém, ressalto, ninguém, nem os mais ricos, desenvolvidos e poderosos países do mundo estavam imune, e sofreram. Isso é fato e não pode ser desconsiderado na realidade que viveu o Brasil. É só fazer uma busca e confirmar a realidade.

Não se pode dizer que foi culpa totalmente do governo PT, aliás, foram adotadas pelo governo medidas importantes como controle dos preços de combustíveis, gás e itens da cesta básica, entre outras medidas, para não deixar o cidadão sofrer tanto com o impacto da queda de arrecadação e investimentos nacionais e internacionais.

Aliado à dificuldade mundial que fragilizou a governabilidade aqui, veio a articulação do Impeachment pelo PSDB e PMDB sob argumento de que as medidas do governo para aliviar os efeitos da crise para o cidadão caracterizaram crimes de responsabilidade da presidente Dilma, com a então recente e estranha mudança de entendimento do TCU. As mesmas medidas permitidas anteriormente pelo TCU para os governos Lula e Fernando Henrique e no primeiro mandato de Dilma, passaram a ser ilegais no segundo mandato.

O PMDB se viu na iminência de assumir a Presidência do Brasil com o vice Michel Temer, e quando necessitasse Eduardo cunha, como Presidente da Câmara Federal, assumiria se o Presidente Temer se ausentasse do país. Estaria tudo na mão do PMDB... alguns fatos prévios ao Impeachment demonstram a má-fé do vice-presidente na saída do PT, como a divulgação da carta em que ele se auto caracterizava como “vice-decorativo”.

Reuniram-se um punhado de parlamentares descompromissados com a democracia e com a ética, sob a liderança do Eduardo Cunha (PMDB) e Aécio Neves (PSDB), entre outros, e passaram articular pautas-bomba no congresso nacional, onde as proposta do governo para reverter as dificuldades econômicas do país eram barradas, e se criavam no próprio congresso outras medidas que prejudicavam ainda mais a governabilidade no país. Criaram uma arapuca para Dilma e não deixaram o governo fazer os ajustes. E com o anseio irracional de boa parte da população, manipulada pela oposição com o ideal odioso anti-Ptista, inflamada pela mídia televisiva e informada com fatos destorcidos, o restante dos integrantes do congresso nacional, por medo de perderem seus eleitores na próxima eleição, aprovaram irresponsavelmente o Impeachment da Presidente Dilma, simplesmente por ela ter feito o que outros governos anteriores fizeram, e sem prova clara e concreta de crime de responsabilidade.

Em meio a tantos países que chegaram até a recessão, somente no Brasil, que não entrou em recessão, teve um Impeachment por causa das dificuldades normais de governo em meio à crise mundial, por ter feito o que todos os governos anteriores fizeram mesmo sem crise. Repito somente no Brasil. Claro, porque foi uma armação da oposição descontente com as derrotas nas eleições, e usando fortes meios de manipulação das massas mal informadas de tudo isso, sobretudo a mídia televisiva e internet nas redes sociais, para culpar o então governo e prejudicar o trabalho desenvolvido pelos governos Ptistas e manchar a imagem do PT.

O impeachment foi um verdadeiro atentado contra a Democracia e o Estado de Direito no Brasil. Tudo por um projeto do PSDB e do PMDB de desmoralizar o PT, e de poder pelo poder.

Mas o promotor do Impeachment de Dilma, o deputado Eduardo Cunha, foi descoberto em casos de corrupção e abandonado pelo PSDB e por Temer e inevitavelmente preso pela justiça por escândalos que lhe redeu milhões em propina - aqui sim, provado pelas contas bancárias abertas por ele com os próprios documentos em paraísos fiscais na Suíça para receber quantias ilícitas. Mas Dilma, a presidente tirada à força do governo, até hoje nunca teve o nome envolvido em escândalos de corrupção, nem condenação por recebimento de qualquer quantia ilícita. Claro, porque o alvo era a imagem do PT e com ele seu maior líder, Lula. [Tá vendo como aí começa a clarear o que realmente aconteceu no Brasil?].

Mas o Brasil só piorou com a saída do PT. É só ver como tudo ficou mais difícil e caro de lá pra cá. O desemprego era considerado normal para um período de crise mundial e ainda assim, proporcionalmente, era melhor do que antes dos governos do PT. Mas no governo de Temer o desemprego só cresceu, os preços só aumentaram, gasolina diariamente, gás, alimentos, os serviços públicos tiveram os investimentos cortados indiscriminadamente acarretando péssima qualidade, desmonte do patrimônio nacional com privatizações, as prefeituras e estados não receberam investimento federais suficientes, tentativas de reformas desastrosas para a população, aprovação da reforma trabalhista de forma atropelada... quase tudo que o Temer tentou fazer era criticado pela sociedade e barrado pelo congresso ou pela justiça, ou até ele mesmo depois de pressionado voltava atrás nas decisões, além de ter chovido escândalos de corrupção dos aliados de Temer, um ministro caindo atrás do outro, mala de dinheiro pro assessor José Yunes, JBS e irmãos Batista, Decreto dos Portos, reforma da casa da filha de Temer com dinheiro de propina, milhões em propina para Temer e pro seu operador Coronel aposentado... em tão pouco tempo, já sendo investigado.

Michel Temer não foi só um erro, foi um acidente trágico. Ninguém escolhe propositalmente alguém pra lhe trair. O PT não escolheu o Temer pensando em ser traído por ele com o Impeachment. Dizer que o governo Temer é responsabilidade do PT não é logico, ele foi escolhido pelo PT pra ser vice, quem escolheu ele pra ser presidente foram os que deram o golpe de estado na presidente Dilma, sabendo que quem assumiria seria o Temer.

Desse retrospecto dos governos PT e pós impeachment, já é possível perceber que os governos Lula/Dilma conduziram o país pelo rumo certo até determinado momento, quando a maior articulação antidemocrática do país após a retomada da democracia, derrubou ilegalmente um governo eleito legitimamente pelo povo, em busca de concretizar um projeto de poder, de desmonte do país e dos direitos e conquistas da população e de desconstrução da reputação do PT.

Na segunda parte seguirei a reflexão falando dos casos de corrupção no PT e do processo que levou à condenação de Lula, e abordarei sobre o candidato Fernando Haddad.

Acesse o link da PARTE 2: https://eliseumarlan.jusbrasil.com.br/artigos/641556865/parte-2-de-2-reflexoes-sobre-os-governos-pt-...

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